Quando os jovens têm cancer

Reproduzimos abaixo uma matéria na íntegra, elaborada pelo Hospital Albert Einstein e veiculada na Revista Veja da última semana (13/06/11).

Os casos de câncer em adultos jovens vêm aumentando nos últimos anos. Os motivos pelos quais isso acontece ainda não são conhecidos, mas sabe-se que a maioria deles tem tratamento.

“Setenta mil pessoas, entre 15 e 40 anos, recebem todos os anos o diagnóstico de câncer nos Estados Unidos, o que significa um caso a cada oito minutos. Isso é sete vezes maior do que todos os casos de tumores infantis juntos.” Esse é o texto de abertura do site de uma organização não governamental americana que reúne informações sobre câncer em adultos jovens e serve como porta-voz para uma questão em franca ebulição nos Estados Unidos: o aumento da doença nessa faixa etária.

Até a última década, o câncer era uma doença de dois extremos: acontecia na infância – em uma proporção infinitamente menor – ou após os 50 anos. Esse quadro, porém, parece estar mudando. Entre as crianças, a causa do problema em geral tem origem genética e, em uma fase mais madura, o estilo de vida soma-se à genética. Quem passou décadas se alimentando mal, se esquivando da prática de atividade física ou mantendo vícios como o tabagismo ou o consumo excessivo de bebidas alcoólicas tem maior risco de desenvolver a doença. Além disso, depois dos 50 anos, homens e mulheres estão mais suscetíveis ao aparecimento de tumores por conta do envelhecimento natural do organismo. Mas descobrir um câncer aos 20 ou 30 anos é uma surpresa e tanto, que pode, inclusive, gerar a necessidade de acompanhamento psicológico durante o tratamento.

De acordo com o Instituo Nacional do Câncer, os tumores mais comuns entre os adultos jovens são o linfoma, a leucemia e os cerebrais, mas os de testículo e mama também podem ocorrer. Um estudo realizado no Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo, mostrou que o câncer de mama, por exemplo, está atingindo quatro vezes mais mulheres jovens que no passado, mas ainda não se sabe ao certo os motivos pelos quais esses números estão aumentando. O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo apontou que entre as 2.573 pacientes atendidas pela instituição nos últimos três anos, 15% tinham menos de 45 anos. A paciente mais jovem recebeu o diagnóstico com apenas 19 anos.

A boa notícia é que existem tratamentos possíveis para boa parte deles. No entanto alguns cuidados devem ser tomados. A quimioterapia e a radioterapia, apesar de eficientes, muitas vezes afetam não apenas as células cancerosas, mas também as sadias, inclusive aquelas ligadas à fertilidade. E, nessa etapa da vida, a paternidade ou a maternidade costuma ser um desejo. Por conta disso, antes do tratamento, entre os homens é indicado o congelamento do sêmen, e entre as mulheres, o congelamento de óvulos.

É preciso ter cuidado, também, com a toxicidade à qual esses pacientes são expostos durante o tratamento. O objetivo é evitar que essa exposição possa, no futuro, causar outro tipo de câncer. Por isso, quem teve a doença precisa de um acompanhamento nos cinco anos seguintes ao fim do tratamento. E, aos poucos, a vida retoma seu rumo.”

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